Por Rodrigo Brasiliense
Pense em qualquer plataforma da Nintendo e um jogo do Mario, pelo menos um, vai vir em sua cabeça, certo? Não é por menos que o encanador bigodudo é o maior ícone da Big N. Da para dizer que pelo menos sete pessoas entre dez que compram um produto da Nintendo, estão na espera de um Mario World, 64, Paper, Galaxy ou, bom, você entendeu, não?
E mesmo assim a Nintendo teve a capacidade de lançar seu tão comentado Nintendo 3DS sem um jogo do encanador. Pior ainda, este só sairia na realidade durante o ano que vem. Só estamos com o jogo aqui neste final de ano por um motivo: A falta de jogos no 3DS impactou diretamente em suas vendas (não me diga?) forçando os japoneses a acelerar o seus planos.
Estratégias e lucros à parte, nós que saímos ganhando, afinal de contas, Super Mario 3D Land, assim como Ocarina of Time 3D, é aquele jogo simpático e divertido que todo sistema deve ter em sua estréia.
Apesar de ser chamado de Land, vertente da franquia que fez sucesso principalmente durante os bons tempos do primeiro Game Boy (no qual Mario já pilotou até uma nave), o jogo na verdade puxa suas inspirações do que seria uma mistura entre o sempre elogiado Super Mario 3 de Nes e Super Mario Galaxy e suas mudanças de perspectiva. Durante as primeiras fases você pensa que o jogo ficou divertidinho, simples e bonito, esteja você optando por utilizar o 3D ou não. Seis fases depois, você nota então que a coisa é bem melhor do que você imaginava, o desafio embarca de vez e os designs das fases exploram de verdade as capacidades do portátil.
Com fases caprichadas, porém, até que breves, obviamente criadas com aquela sua viagem de ônibus ou metrô em mente, eis que surge a primeira preocupação: Será que o jogo dura?
Sim, o jogo dura. Não da para dizer que tanto quanto um Super Mario Galaxy, ou mesmo New Super Mario Bros. Wii em sua eterna busca pelas moedas douradas, mas fiquem tranqüilos que o jogo reserva uma supresinha que, dependendo da sua forma de jogar, pode ser capaz de dobrar seu número de horas gastas para colocar um fim na eterna ambição de Bowser.
Aliás, falando no vilão. O plot do jogo é tão simples como o primeiro da franquia, o rei dos koopas simplesmente levou a princesa Peach embora sem artimanhas universais ou ilhas paradisíacas em perigo, e cabe a Mario cruzar oito mundos para recuperá-la. O foco do jogo é este, a viagem, as manobras e os jogos de perspectiva, misturando o melhor da era bidimensional da Nintendo com todo o potencial desta geração.
Sendo assim, o jogo não é repleto de inimigos, mas sim precipícios e armadilhas que você deve se virar para não cair. Claro, a chave para tirar o máximo dos cenários é justamente a perspectiva 3D que só o portátil domina, ressaltando a profundidade do terreno de um jeito nunca visto antes, que por si auxilia nos tantos pulos do jogo. Sim, dá para dizer que esta não passa de um mero desvio da fórmula clássica, mas uma não menos interessante.
Para aqueles que sempre se preocupam com o desafio, tendo em vista a tendência atual da Nintendo de adocicar seus jogos em prol dos jogadores casuais, fiquem tranqüilos. 3D Land não chega a ser aquele absurdo, mas a dificuldade gradual chega a pegar até os veteranos de surpresa, reforçando sempre o uso de Power-ups, como a clássica tanooki suit, o guaxinim de Mario 3 que retorna, e o inédito boomerang suit, na qual Mario assume uma formula similar ao dos vilões boomerang bros.
Até onde vai poder visual, a Nintendo fez excelente uso de seu hardware, e em alguns momentos dá até a impressão de se estar jogando uma versão mini de Galaxy 2, com suas formas redondas, texturas fortes e colorido marcante. Não tem como se decepcionar. Já da trilha sonora não podemos dizer o mesmo, é aquela batida feliz, porém, nada além de genérica, misturada a arranjos clássicos da franquia. Típico até demais.
Desbravando as terras do 3D: Super Mario Land 3D é excelente no que ele se propõe a ser, uma versão reduzida e diferenciada da tão respeitada fórmula Mario. Um pouco mais de criatividade viria a calhar na forma das outras capacidades do portátil, como o giroscópio, ou o próprio streetpass que se limita a uma troca de figurinhas com outros jogadores. Mas o jogo diverte e, no final, é isto que interessa, não é? Provavelmente um jogo que até o final da vida do Nintendo 3DS será lembrado entre os melhores, mas no atual momento, é um mais do que obrigatório.