PRÓS
- Trilha sonora imortal, além dos efeitos remasterizados
- Visual melhorado e efeitos 3D deixam o jogo ainda mais belo
- Mundo interessante que pede para ser explorado
- Inclusão do lendário Master Quest
CONTRAS
- Master Quest deveria estar disponível desde o começo
- Alguns puzzles do jogo sentem a idade da obra
Por Rodrigo Brasiliense
Assim como Super Mario 64 DS foi o título que, além de impressionar mundo afora por ressurgir em um portátil, ajudou a vender a idéia do Nintendo DS, assim, The Legend of Zelda: Ocarina of Time 3D seria o carro chefe do Nintendo 3DS. Não foi. Isto graças a atrasos e reajustes de datas, que no fundo são a mesma coisa, o jogo só veio dar o gás que o portátil da Nintendo precisou agora, quase quatro meses depois.
Considerando que você tenha resistido à fama eterna de Ocarina of Time, deixando de lado os impulsos de comprar um Nintendo 64 usado, a versão limitada para o GameCube, a lançada para Wii via o Virtual Console, ou mesmo apelar para os prazeres fora-da-lei de um emulador, bem, o jogo conta a história do garoto Link, que se vê obrigado a atravessar o fluxo de tempo até um futuro destruído para colocar fim nos planos do maléfico conquistador Ganondorf.
Sim, o jogo não ganhou toda a fama que ele carrega pelo seu enredo. Não que ele seja ruim, longe disto, mas ele só funciona, assim como todas as outras peças do jogo, quando forma o retrato único que o jogo é, de convenções avançadas, inteligentes, e um mundo que se completa a cada hora de jogo dedicado a sua exploração.
Claro, naturalmente falamos de um jogo lançado em 1998, e devidamente replicado por muitos jogos a fora que se dizem respeito, o que é dizer que, muita das novidades únicas de Ocarina of Time hoje podem já não pegar você de surpresa como pegou na época, do simples sistema de navegação pelo vasto mundo tridimensional à caprichada forma de se empunhar uma espada. Só que, de tão bem aplicado que as mecânicas foram em seu tempo, a aventura ainda se segura muito bem como uma jornada mais que interessante e, diga-se de passagem, serve de aula para aqueles jogos que até hoje não aprenderam.
Após o último parágrafo, fica claro então que a única novidade do jogo em relação ao lançado anteriormente é a forma 3DS de se ver a vida, o que inclui o visual totalmente renovado com direito aos efeitos 3D únicos da tela do portátil, que reforçam a profundidade e a credibilidade daquela Hyrule, assim como poder controlar diversas das armas de Link movimentando o próprio 3DS (pelo sensor de movimento), tão como alterar a perspectiva do jogo. Foi também incluso um sistema de dicas sutís para ajudar àqueles mais perdidos, e uma espécie de Boss Rush Mode, nas veias de Castlevania, na qual você pode enfrentar todos os chefões já derrotados, revivendo-os nos sonhos de Link, em sua casa.
Sem dúvida alguma a melhor surpresa mesmo é a inclusão no pacote do lendário modo Master Quest (planejada para o ainda mais mítico Nintendo 64DD), que abre após o termino do jogo, garantindo uma versão espelhada, com inimigos mais difíceis e quebra-cabeças diferenciados da versão original. O ponto fraco desta inclusão, bom, já foi dito neste mesmo parágrafo: ele só é aberto ao final do jogo, fazendo com que mesmo pessoas que já terminaram mais de dez vezes a aventura original (não olhem para mim!) tenham que jogar mais uma para enfrentar a aventura mais desafiadora.
Não que jogar novamente seja lá um grande sacrifício. Como dito, a única coisa que pesa é o fato do jogo já não ser mais aquele show de mecânicas inovadoras. Quer um exemplo? Voltemos a 1998, quando a navegação 3D ainda era um baque na mente dos jogadores. Nesta época, a forma como Ocarina of Time fazia os jogadores aprenderem a explorar o máximo de um ambiente tridimensional e utilizar estas possibilidades para resolver inúmeros quebra-cabeças, fossem eles parados ou mesmo numa batalha contra gigantescos inimigos, era o ápice da evolução. Hoje, convenhamos, mesmo que você nunca tenha ouvido falar do jogo, a descrição acima provavelmente te fez lembrar de algum título em especial, e é justamente esta a sensação que vai ter ao jogar. Dá até para dizer que o jogo se tornou bem mais fácil do que antes.
Essa noção afeta até o visual do jogo. Enquanto muito dos locais ficaram belíssimos sob a capa visual da nova geração, sobretudo a cidade principal de Hyrule e os muitos edifícios e lojas que você visita, outras áreas como os templos e dungeons se tornaram espaçosos demais em comparação com o nível de detalhamento, herança rústica dos 64 bits.
O mundo em si continua mágico e pedinte pela exploração. Por toda a aventura você encontra precipícios que não pode cruzar, até que acha aquele item chave que te faz recordar das antigas barreiras, resultando num sentido único em cruzar o mundo todo de lá para cá. É das coisas mais simples, como os rumores ditos por aldeões, àquelas impressionantes, como a construção no fundo de um imenso lago que não pode ser alcançado pela profundidade.
Já o que não sente o peso da idade de forma alguma é a trilha sonora. Na verdade, este se mostra até melhor. As composições continuam as mesmas por excelência, mas o trabalho de ambientação e efeitos dos monstros foi elevado de forma que estes se tornaram mais convincentes, o mesmo podendo ser dito da profundidade dos calabouços visitados, que caem como algo mais palpável e. Em geral, Ocarina of Time, dando ênfase na música e nas canções como nenhum jogo da franquia fez, é extremamente caprichoso, seja na trilha, que invoca sempre os sentimentos certos para adornar a situação do jogo, até os trechos de música que você deve tocar em posse de sua ocarina para manipular as energias de Hyrule a sua volta.
Tocando eternamente entre os melhores: The Legend of Zelda: Ocarina of Time 3D é uma releitura que merece atenção máxima, longe de ser apenas por seu título, mas por ser uma das jornadas mais influentes e belas da história do vídeo-game, misturando jogabilidade, enredo, descobrimento e imaginação em um tom que raríssimos jogos encontram. A adição do visual e a profundidade visual 3D do portátil apenas adicionam ao status da aventura. Se ainda buscava motivos para apostar em um Nintendo 3DS, este é o jogo da virada.